2015/11/15


Quand nous marchons seuls dans les bois, sa main passée autour de ma taille, la mienne sur son épaule, son corps tenant au mien, nos têtes se touchant, nous allons d'un pas égal, par un mouvement uniforme et si doux, si bien le même, que, pour des gens qui nous verraient passer, nous paraîtrions un même être glissant sur le sable des allées, à la façon des immortels d'Homère. Cette harmonie est dans le désir, dans la pensée, dans la parole. Quelquefois, sous la feuillée encore humide d'une pluie passagère, alors qu'au soir les herbes sont d'un vert lustré par l'eau, nous avons fait des promenades entières sans nous dire un seul mot, écoutant le bruit des gouttes qui tombaient, jouissant des couleurs rouges que le couchant étalait aux cimes ou broyait sur les écorces grises.
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Et nous rentrons toujours plus amoureux l'un de l'autre. Cet amour entre deux époux semblerait une insulte à la société dans Paris. Il faut s'y livrer comme des amants, au fond des bois.

H. de BALZAC, França,
in Mémoires de Deux Jeunes Mariées, 1841


Quando caminhamos sozinhos pelos bosques, a mão dele à volta da minha cintura, a minha no ombro dele, o seu corpo junto ao meu e as nossas cabeças unidas, seguimos com passo igual, num movimento uniforme e tão suave, tão idêntico, que, para pessoas que nos vissem passar, pareceríamos um mesmo ser a deslizar no saibro dos carreiros, à maneira dos imortais de Homero. Esta harmonia está no desejo, no pensamento, na palavra. Por vezes, sob a folhagem ainda húmida após uma chuva passageira, quando ao entardecer as ervas são de um verde polido pela água, já nós demos voltas e voltas sem dizer uma única palavra, escutando o som das gotas que caíam, apreciando o vermelho das cores que o poente estendia nos cumes ou juntava aos troncos cinzentos.
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E voltamos sempre mais apaixonados um pelo outro. Este amor entre esposos pareceria um insulto à sociedade, em Paris. Temos de nos entregar a ele como amantes, embrenhando-nos nos bosques.

2015/10/07



O abade, dias depois, reconciliado com a desgraça, entrava na residência, e perguntava a Eufémia:
- Ó rapariga, tu tens irmão no Brasil?
- Porque perguntas isso, ó idolatrado? ...
-É que, se tivesses, qualquer dia ele entrava por aí dentro barão; e eu, nesse caso, precisava ir desde já deitando o olho a quem me viesse governar a casa.
- Isso é o que tu querias, idolatrado!
E punha-se a catá-lo.
Eufémia, quando era costureira de Madama Guichard, teve um segundo-sargento a quem chamava o seu idolatrado. Depois desse teve nove, uma súcia, incluso o abade, todos idolatrados. Ela ardera muito sem se gastar, como a sarça-de-moisés. Cada vez mais gorda e frescal. O abade, em momentos de rapto religioso, dizia cheio de unção: Os Céus indemnizaram-me da ingratidão da outra bêbeda.


CAMILO CASTELO BRANCO,
in Eusébio Macário, 1879

2015/09/17


The Songs

Continuous, a medley of old pop numbers -
Our lives are like this. Three whistled bars
Are all it takes to catch us, defenceless
On a District Line platform, sullen to our jobs,
And the thing stays with us all day, still dapper,
        still Astaire,
Still fancy-free. We're dreaming while we work.

Be careful, keep afloat, the past is lapping your chin.
South Of The Border is sad boys in khaki
In 1939. And J'attendrai a transit camp,
Tents in the dirty sand. Don't go back to Sorrento.
Be brisk and face the day and set your feet
On the sunnny side always, the sunny side of the
       street.

MARTIN BELL, U.K., 1962


As Canções

Contínua, uma mistura de velhas actuações pop -
As nossas vidas são assim. Três cassetetes e um apito
Chegam para nos apanhar, sem defesa
Numa gare da District Line, taciturnos a caminho do emprego,
E a coisa fica connosco o dia inteiro, ainda elegante,
       ainda Astaire,
Ainda livre devaneio. Sonhamos a trabalhar.

Tem cuidado, mantém-te à tona, o passado dá-te pelo queixo.
A Sul Da Fronteira tem rapazes tristes de caqui
Em 1939. E J'attendrai tem um acampamento militar,
Tendas na areia suja. Não voltes a Sorrento.
Sê rápido e enfrenta o dia e caminha
Sempre pelo lado do sol, pelo lado da rua onde há
       sol.

2015/07/30

 
 
Particle Horizon

Why critique failure
on the thing’s visible part, the suggested part?

All parts want to fail into an abidance.
No emission appears 

except for one critical remark in the form of a naughty [drawing--
it defects,

renders the arm, the leg, and the smell,
explodes twice,

costs the arm.
I wonder if dehydration is like this:

A stud-finder detects a metal detector.
I think that dehydration is not like this.

The abstract in rage declares,
“My true love’s orange is orange!”
 
CHRISTINE KELLY, U.S.A., 2014


 
Horizonte de Partículas

Porquê criticar o fracasso
a partir da parte visível de uma coisa, a parte sugerida?
  
Todas as partes querem fracassar e obedecer.
Não aparece nada expresso
  
só uma nota crítica em forma de desenho brejeiro--
deserta,
  
traduz o braço, a perna e o cheiro,
explode duas vezes,
  
sacrifica o braço.
Não sei se desidratação é isto:
  
Um detector de metal oculto detecta o detector de [metais.
Acho que desidratação não é isto.
  
Em fúria, o abstracto declara:
“A laranja do meu verdadeiro amor é cor-de-laranja!”

 


2015/06/16


Everyone thought the world of her for her gentle ways. It was Gerty who turned off the gas at the main every night and it was Gerty who tacked up on the wall of that place where she never forgot every fortnight the chlorate of lime Mr. Tunney the grocer's Christmas almanac the picture of halcyon days where a young gentleman in the costume they used to wear then with a three cornered hat was offering a bunch of flowers to his ladylove with oldtime chivalry through her lattice window. You could see there was a story behind it. The colours were done something lovely. She was in a soft clinging white in a studied attitude and the gentleman was in chocolate and he looked a thorough aristocrat. She often looked at them dreamily when there for a certain purpose and felt her own arms that were white and soft just like hers with the sleeves back and thought about those times because she had found out in Walker's pronouncing dictionary that belonged to grandpapa Giltrap about the halcyon days what they meant.


JAMES JOYCE, Irlanda,
em Ulysses, 1922



Todos a tinham em grande conta pelos seus modos delicados. Era Gerty que desligava todas as noites o gás na conduta e era Gerty que pregava tachas na parede do local onde nunca esquecia de quinze em quinze dias a cal Mr.Tunney a mercearia o almanaque de Natal a imagem de dias idílicos em que um jovem com o fato que então se usava e chapéu de três bicos oferecia um ramo de flores à sua amada com cortesia antiga através da gelosia. Via-se que havia uma história por trás. As cores davam um efeito lindo. Ela vestia de branco suave cingido com uma atitude estudada e o jovem vestia de castanho chocolate e parecia um perfeito aristocrata. Olhava-os muitas vezes sonhadora quando ali ia para qualquer fim e sentia os seus próprios braços que eram brancos e macios tal como os dela com as mangas para trás e pensava nesses tempos porque descobrira no Walker dicionário com pronúncia que pertencia ao avô Giltrap o que eram dias idílicos o que significavam.

2015/06/10

 

Vão os anos descendo, e já do Estio
Há pouco que passar até o Outono;
A Fortuna me faz o engenho frio,
Do qual já não me jacto nem me abono;
Os desgostos me vão levando ao rio
Do negro esquecimento e eterno sono.
Mas tu me dá que cumpra, ó grão Rainha
Das Musas, co que quero à nação minha.

LUÍS VAZ de CAMÕES, Portugal,
in "Os Lusíadas", Canto X, Estrofe 9

2015/05/18

 



que é
como quem diz: a multidão de palavras
todas elas esquerdas como se escreve,
e há o impulso de apertar a mão rara com a sua rosa
                                                              penta tatuada
- topas?
(tu que não topas nunca nada)
- vai-te lá embora
(tu que nem de dia nem de noite te vais embora)
- desampara-me a loja
(tu que não me amparas nunca
profunda outra carne humana)

HERBERTO HELDER, Portugal,
em Poemas Canhotos, 2015

2015/05/08

                          VALÉRIE ROUZEAU, Prix Apollinaire 2015    
                                 
Nous n'irons plus aux champignons
le brouillard a tout mangé les chèvres
blanches et nos paniers.
Nos n'irons pas non plus dans les
cités énormes qui sont des baleines
grises très bien organisées où nos coeurs
se perdraient.
Ni au cinéma ni au cirque, ni au café-concert
ni aux courses cyclistes.
Nous n'irons pas nous n'irons plus
pas plus que nous n'irons que nous ne
rirons pas que nous ne rirons plus que
nous ne rirons ronds.

VALÉRIE ROUZEAU, França,
in Patiences, 1994


Já não iremos aos cogumelos
o nevoeiro comeu tudo as cabras
brancas e os nossos cestos.
Também já não iremos às
cidades enormes que são baleias
cinzentas muito bem organizadas onde os nossos corações
se perderiam.
Nem ao cinema nem ao circo, nem ao café-concerto
nem às corridas de ciclistas.
Não iremos já não iremos
e também não
riremos já não riremos
nem a rir nos perderemos.

2015/05/06

                           WILLIAM CLIFF, Prix GONCOURT 2015

à mon retour d’Amérique tu vis
venir à mes tempes des mèches blanches
« William tu n’as guère changé » me dis-
tu « sauf ces mèches blanches sur tes tempes »
mon voyage au-delà de l’écumante
mer Atlantique à rechercher ta trace
fut-il tant éprouvant ? ça me tracasse
très peu cette blancheur de mes cheveux
qu’elle soit blanche ou noire ma tignasse
m’importe peu car c’est Toi que je veux

WILLIAM CLIFF, Bélgica,
in Autobiographie, 2009


no meu regresso da América, viste
aparecer nas minhas têmporas uns cabelos brancos
«William não mudaste nada» disseste
«para além desses cabelos brancos nas têmporas»
a minha viagem para lá da espuma
do Atlântico a procurar o teu rasto
foi assim tão tormentosa? incomoda-me
muito pouco o branco dos meus cabelos
que a minha cabeleira seja branca ou negra
importa-me pouco porque é a Ti que eu quero

2015/05/04



Venus her Myrtle, Phoebus has his bays;
Tea both excels, which she vouchsafes to praise.
The best of Queens, the best of herbs, we owe
To that bold nation which the way did show
To the fair region where the sun doth rise,
Whose rich productions we so justly prize.
The Muse's friend, tea does our fancy aid,
Regress those vapours which the head invade,
And keep the palace of the soul serene,
Fit on her birthday to salute the Queen.

EDMUND WALLER, U.K.,
no 25º aniversário de Catarina de Bragança, 25.11.1663



Vénus com a murta e Febo com o loureiro;
A ambos suplanta o chá, que ela se digna louvar.
A melhor Rainha, a melhor planta, devemo-las
À intrépida nação que abriu caminho
Até às belas regiões onde o sol nasce,
E cuja rica produção tão justamente apreciamos.
Amigo das musas, o chá anima a nossa fantasia,
Desfaz as névoas que a cabeça invadem
E mantém sereno o palácio da alma,
Pronto a saudar a Rainha no seu dia de anos.

2015/05/03


A caseira tinha um filho pequeno chamado Artaxerxes. O nome arrevesado punha-o doido, e tornou-se, além disso, muito mau. Todos se espantavam de ele se chamar assim; e tudo era culpa dum padrinho rico que sabia muito de História antiga.
- Xerxes - dizia a mãe -, vai apanhar erva para os coelhos. - Ou então gritava do fundo do campo: - Xerxes... Xerxes, anda cá nino...
Nino queria dizer menino. E perro queria dizer zangado. A mãe de Xerxes, a senhora Teodora, estava quase sempre perra. Também tinha duas filhas, bonitas como só visto. Os cabelos brilhavam ao sol, ainda que tivessem em cima uma boa camada de cinza da lareira. Emília achava-as vaidosas e namoradeiras, mas Lourença pensava que elas tinham mais razão para isso do que Marta. E Marta não largava o espelho todo o santo dia. Isto do santo dia foi coisa que Lourença nunca percebeu. Quando a mãe se aborrecia com uma criada, dizia: «Não faz nada todo o santo dia.» E tomava um ar mortificado.

AGUSTINA BESSA-LUÍS, Portugal,
em Dentes de Rato, 2012

2015/03/24

   
para "Os Passos em Volta" de HERBERTO HELDER, desenhos de ANA CARDOSO, 1997 (pormenor)    

O barulho do mar e do vento. A ideia da montanha impraticável. A terra arenosa por ali adiante. E a solidão. E, sobretudo, saber que já não pode haver qualquer espécie de medo. Então fecharei todas as portas da casa, a porta para fora e as portas dos quartos entre si. Ficarei no quarto sem soalho e deitar-me-ei no chão. Hei-de ouvir o mar e o vento, e hei-de saber que a montanha está atrás de mim, poderosa e só. Poderei ouvir também o sussurro da terra húmida debaixo do meu corpo. Encostarei a cara a esta terra profundíssima. Até que morrerei.

HERBERTO HELDER, Portugal,
em Os Passos em Volta, 1963

2015/03/17


I on the other hand believe that poetry and romance cannot be made by the most conscientious study of famous moments and of the thoughts and feelings of others, but only by looking into that little, infinite, faltering, eternal flame that we call ourselves. If a writer wishes to interest a certain people among whom he has grown up, or fancies he has a duty towards them, he may choose for the symbols of his art their legends, their history, their beliefs, their opinions, because he has a right to choose among things less than himself, but he cannot choose among the substances of art. So far, however, as this book is visionary it is Irish, for Ireland which is still predominantly Celtic has preserved with
some less excellent things a gift of vision, which has died out among more hurried and more suc-
cessful nations: no shining candelabra have prevented us from looking into the darkness, and when one looks into the darkness there is always something there.

W. B. YEATS, Irlanda,
na dedicatória de Rosa Alchemica a George Russell (A. E.), em Londres, 1896


Creio, porém, que poesia e romance não podem fazer-se nem com o mais consciencioso estudo de momentos famosos nem com sentimentos e ideias de outros, mas só olhando esse pequeno, infinito, vacilante e eterno brilho a que chamamos nós próprios. Se um escritor quer agradar a certas pessoas junto das quais cresceu, ou imagina que tem um dever para com elas, pode escolher como símbolos da sua arte as lendas, a história, as crenças e as opiniões que são delas, porque tem o direito de escolher coisas inferiores a si próprio - o que não pode é escolher a substância da arte. Mas este livro é irlandês por ser visionário, pois a Irlanda, que ainda é predominantemente celta, conservou a par de outras coisas o dom da visão, que morreu entre nações mais prósperas e apressadas: não houve candelabros resplandecentes que nos impedissem de olhar a escuridão e, quando olhamos a escuridão, está lá sempre alguma coisa.

2015/02/22

 
 


«I have tasted eggs, certainly,» said Alice, who was a very truthful child; «but little girls eat eggs quite as much as serpents do, you know.»
«I don't believe it,» said the Pigeon; «but if they do, why then they're a kind of serpent, that's all I can say.»
This was such a new idea to Alice, that she was quite silent for a minute or two, which gave the Pigeon the opportunity of adding, «You're looking for eggs, I know that well enough; and what does it matter to me whether you're a little girl or a serpent?»
«It matters a good deal to me,» said Alice hastily; «but I'm not looking for eggs, as it happens; and if I was, I shouldn't want yours: I don't like them raw.»

LEWIS CARROLL, U.K.
in Alice's Adventures in Wonderland, 1865


«É claro que comi ovos,» disse Alice, que era uma criança muito sincera, «mas sabes, as meninas comem ovos tal e qual como as serpentes.»      
«Não acredito,» disse a Pomba, «mas se comem, então só te digo que és uma espécie de serpente.»
Aquilo era uma ideia tão nova para Alice, que ela ficou calada um minuto ou dois, o que deu à Pomba oportunidade para acrescentar: «Andas à procura de ovos, isso eu sei; e que me interessa que sejas uma menina ou uma serpente?»
«Interessa-me a mim,» disse Alice exaltada, «mas não ando à procura de ovos, por sinal; e se andasse, não queria os teus; não gosto deles crus.»

2015/01/23


What are the roots that clutch, what branches grow
Out of this stony rubbish? Son of man,
You cannot say, or guess, for you know only
A heap of broken images, where the sun beats,
And the dead tree gives no shelter, the cricket no relief,
And the dry stone no sound of water. Only
There is shadow under this red rock,
(Come in under the shadow of this red rock),
And I will show you something different from either
Your shadow at morning striding behind you
Or your shadow at evening rising to meet you;
I will show you fear in a handful of dust.

T.S. ELIOT, USA / UK,
in "The Burial of the Dead" (The Waste Land, 1922)


O que são as raízes que se agarram, que ramos nascem
Desta lixeira de pedras? Filho do homem,
Não consegues dizer, nem adivinhar, pois conheces só
Um monte de imagens desfeitas, onde o sol bate,
E a árvore morta não dá abrigo, o grilo não dá descanso,
E a pedra seca não soa a água. Só
Há sombra sob esta rocha encarnada,
(Anda para a sombra desta rocha encarnada),
E mostrar-te-ei uma coisa diferente quer
Da tua sombra que, de manhã, te segue a passos largos,
Quer da tua sombra que, ao anoitecer, se levanta para te alcançar;
Mostrar-te-ei o medo numa mão cheia de pó.

2015/01/03

 
Sur mes cahiers d’écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J’écris ton nom

Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J’écris ton nom

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J’écris ton nom

Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l’écho de mon enfance
J’écris ton nom

Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J’écris ton nom
.......
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J’écris ton nom
.......
Et par le pouvoir d’un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.

PAUL ELUARD, França,
in  Au rendez-vous allemand, 1945


Nos meus cadernos de estudante
Na minha carteira e nas árvores
Na areia e na neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel ou cinza
Escrevo o teu nome

Nas imagens douradas
Nas armas dos guerreiros
Na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Na selva e no deserto
Nos ninhos e nos arbustos
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nas noites das maravilhas
No pão branco dos dias
Na época dos enlaces
Escrevo o teu nome
.......
Em toda a carne que consente
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome
.......
E pelo poder duma palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Para te nomear
Liberdade.