2007/11/29



BAREFOOT FOR A SCORPION

The color of the sac and stinger of the scorpion
was red, and got its beauty from their poison. Bare
feet ache with the threat, the eyes with praise,
the serum for revulsion. Praise be, then, that
the armored teardrop searching on the tail
could miss feet, sting sight, and reconcile
death’s stamping panic with a vision of form,
red at the point where chance and law join.

ALAN DUGAN, E.U.A., 1967




PÉS NUS PARA UM ESCORPIÃO

A cor da bolsa e do ferrão do escorpião
era vermelha e a sua beleza provinha do veneno deles.
Descalços os pés sofrem com a ameaça, com os olhos
exaltados, com a repugnância do soro. Exaltemos, então,
a lágrima blindada a remexer na cauda por ela
ter conseguido falhar os pés, estimular a visão e reconciliar
o pânico estampado da morte com uma visão da forma,
vermelha no ponto onde risco e lei se unem.

2007/11/16


The sensation was part of the general strangeness that made him feel like a man waking from a long sleep to find himself in an unknown country among people of alien tongue. We live in our own souls as in an unmapped region, a few acres of which we have cleared for our habitation; while of the nature of those nearest us we know but the boundaries that march with ours.

EDITH WHARTON, U.K., “The Touchstone”, 1900



A sensação incluía-se na estranheza geral que o fazia sentir-se como um homem que acorda de um longo sono e se vê num país desconhecido, entre pessoas de língua estranha. Vivemos nas nossas almas como numa região sem mapa, da qual libertámos alguns hectares para nós próprios habitarmos; enquanto que da natureza dos que nos são mais próximos só conhecemos as fronteiras que confinam com as nossas.

2007/11/05

 
 
Glennard dropped the Spectator and sat looking into the fire. The club was filling up, but he still had to himself the small inner room with its darkening outlook down the rain-streaked prospect of Fifth Avenue. It was all dull and dismal enough, yet a moment earlier his boredom had been perversely tinged by a sense of resentment at the thought that, as things were going, he might in time have to surrender even the despised privilege of boring himself within those particular four walls.

EDITH WHARTON, U.S.A., in The Touchstone, 1900


Glennard pôs de lado o Spectator e sentou-se a olhar o lume. O clube começava a encher, mas continuava a ter só para ele a salinha interior com a visão lá de baixo, cada vez mais escura, do cenário da Quinta Avenida varrida pela chuva. Era tudo bastante monótono e sombrio, mas ainda há instantes o seu enfado se eivara perversamente de uma sensação de revolta, à ideia de poder vir a ter, dado o actual estado de coisas, de renunciar ao privilégio menor de se aborrecer entre aquelas mesmíssimas quatro paredes.









BRUCE DAVIDSON, E.U.A., 1961

2007/11/02


A VASE OF FLOWERS

The vase is white and would be a cylinder
If a cylinder were wider at the top than at the bottom.
The flowers are red, white and blue.

All contact with the flowers is forbidden.

The white flowers strain upward
Into a pallid air of their references,
Pushed slightly by the red and blue flowers.

If you were going to be jealous of the flowers,
Please forget it.
They mean absolutely nothing to me.

JOHN ASHBERY, U.S.A., “Some Trees”, 1956




UMA JARRA DE FLORES

A jarra é branca e seria um cilindro
Se um cilindro fosse mais largo em cima do que em baixo.
As flores são encarnadas, brancas e azuis.

É proibido todo o contacto com as flores.

As flores brancas esforçam-se por ascender
A uma aragem pálida dos seus atributos,
Ligeiramente impelidas pelas flores encarnadas e azuis.

Se ias ter ciúmes das flores,
Por favor esquece.
Para mim não significam absolutamente nada.

2007/11/01