2011/12/24




Miranda. I am your wife, if you will marry me;
If not, I'll die your maid. To be your fellow
You may deny me; but I'll be your servant,
Whether you will or no.
Ferdinand. My mistress, dearest,
And I thus humble ever.
Miranda. My husband then?
Ferdinand. Ay, with a heart as willing
As bondage e'er of freedom. Here's my hand.
Miranda. And mine, with my heart in't; and now
farewell
Till half an hour hence.
Ferdinand. A thousand thousand!
Exeunt [Ferdinand and Miranda in different directions]

WILLIAM SHAKESPEARE, U.K.,
in "The Tempest", 1611


Miranda. Sou vossa mulher, se comigo casardes;
Se não, por vós morrerei donzela. Para ser vossa igual
Podeis recusar-me; mas vossa serva serei,
Queirais ou não.
Ferdinand. Senhora minha, a mais querida,
Sempre assim vos servirei.
Miranda. Meu marido então?
Ferdinand. Sim, com coração mais desejoso
Que servidão jamais de alcançar a liberdade. Tomai minha mão.
Miranda. E a minha, com meu coração nela; agora
adeus
Até daqui a meia hora.
Ferdinand. Que fossem mil!
Exeunt. [Ferdinand e Miranda em direcções opostas].

2011/12/05

2011/12/04

If hands could free you, heart,
Where would you fly?
Far, beyond every part
Of earth this running sky
Makes desolate? Would you cross
City and hill and sea,
If hands could set you free?

I would not lift the latch;
For I could run
Through fields, pit-valleys, catch
All beauty under the sun -
Still end in loss:
I should find no bent arm, no bed
To rest my head.


PHILIP LARKIN, U.K.
in The North Ship, XXIII, 1945


Se as mãos conseguissem libertar-te, coração,
Para onde voarias?
Longe, para lá de todos os lugares
Da Terra que este céu veloz
Torna desolados? Atravessarias
Cidades, colinas e mar,
Se as mãos conseguissem libertar-te?

Não partiria;
Porque podia atravessar
Campos, vales profundos, surpreender
Toda a beleza que o sol dá -
E acabar sem nada:
Sem encontrar curva de braço, nem cama
Onde encostar a cabeça.