2017/07/08


Drawing the curtains back and opening windows
Every morning now, she feels her years
Grow less and less. Time puts no burden on
Her now she does not need to measure it.
It is acceptance she arranges 
And her own life she places in the vase.

ELIZABETH JENNINGS, U.K.
in Old Woman, 1958

Agora ao puxar as cortinas e ao abrir janelas 
De manhã, ela sente que os anos
Encurtam cada vez mais. Agora o tempo não
Lhe pesa não precisa de o medir.
É aceitação o que põe
E a própria vida o que dispõe na jarra.

2017/03/21


Following
the solitude of distances,
a coarsely wound thread
of sidewalk stretched among blocks

Regular as playthings.

The nature of your work
leaves full days discarded
at the entrance to the train.

ERIN J. WATSON, in 'No Experiences', 2012

(each poem contains one @Horse_ebooks tweet. You can find them linked from noexperiences.com)


Seguindo
a solidão das distâncias,
a travessia do passeio agreste e tortuoso
que se prolonga entre quarteirões

Alinhados como brinquedos.

A natureza do teu trabalho
deixa dias inteiros desperdiçados
quando entras para o comboio.

(cada poema contém um tweet de @Horse_ebooks. Os links encontram-se em noexperiences.com)

2017/02/05


But if sleep it was, of what nature, we can scarcely refrain from asking, are such sleeps as these? Are they remedial measures - trances in which the most galling memories, events that seem likely to cripple life for ever, are brushed with a dark wing which rubs their harshness off and gilds them, even the ugliest and the basest, with a lustre, an incandescence? Has the anger of death to be laid on the tumult of life from time to time lest it rend us asunder? Are we so made that we have to take death in small doses daily or we could not go on with the business of living? And then what strange powers are those that penetrate our most secret ways and change our most treasured possessions without our willing it?

VIRGINIA WOOLF, UK,
in Orlando, 1928

Mas se de sono se tratava, qual a natureza, não podemos deixar de perguntar, de sonos como esse? São medidas terapêuticas - transes nos quais as memórias mais cruas, acontecimentos que parecem capazes de deformar a vida para sempre, são varridos por uma asa obscura que lhes tira a aspereza e os doura, até os mais vis e feios, com um brilho, uma incandescência? A fúria da morte tem de cair sobre o tumulto da vida, de quando em quando, para que ele não nos despedace? Fomos feitos de tal modo que precisamos de tomar a morte em pequenas doses, diariamente, para podermos levar por diante o ofício de viver? E também que poderes estranhos são esses que penetram nos nossos caminhos mais secretos e transformam o que de mais precioso possuímos sem nós querermos?